Deixa as Palavras Voarem | Inverno, O Incompreendido.

janeiro 24, 2015


Por vezes surgem aquelas questões altamente filosóficas e de grande relevância para a humanidade, questões essas que nos obrigam a utilizar as nossas capacidades cognitivas ao extremo. Um bom exemplo disso é "Qual é a tua estação do ano favorita?".

Quando somos miúdos a resposta é tão certa como comer bifes com batatas fritas sempre que nos permitem e é, muitas vezes gritada a plenos pulmões e com um brilho no olhar. Verão! Pois está claro, que mais poderia ser? Mas crescemos e, eventualmente, percebemos que a vida não é feita de batatas fritas - que grande porra! - e que existe sempre alguém que não vai ficar satisfeito com a resposta dada, independentemente da questão, e, quase instantaneamente, vão torcer o nariz se ouvirem a resposta "Inverno".

"Ah... Inverno... Tens a certeza?" dizem eles com ar de pena, como se estivessem a dar uma última oportunidade para dar a resposta correcta enquanto olham do alto do seu pedestal para o pobre coitado que se atreveu a proferir tal afirmação. E, embora nos apeteça responder "Nãooooo, é a minha estação do ano mas não tenho a certeza" acabamos por proferir apenas um "sim..." pouco seguro e algo tímido.

Apesar de gostar de todas as estações do ano - vejam lá a atrevida que eu sou - tenho um carinho especial pelo Inverno. O pobre coitado é terrivelmente incompreendido e só lhe sabem reconhecer defeitos. 

Todos se lembram das mão geladas, dos lábios gretados, do esforço estóico que é preciso para abandonar o aconchego dos cobertores, do gelo que se forma no vidro dos carros - que invariavelmente é sempre mais quando estamos já atrasados -, da chuva que teima em cair sempre que nos esquecemos do guarda-chuva em casa e da maldita poça de água que poderia estar em qualquer lugar da rua mas acaba sempre debaixo dos nossos pés. A lista é interminável e é tudo verdade mas o Inverno não é só isso. São os serões à lareira, os fins-de-semana dedicados à preguiça, as chávenas de chocolate quente, as camisolas de malha, as golas fofinhas, as mantas felpudas, as chávenas de chá que nos aquecem as mãos e a alma, as manhãs na cama a ouvir a chuva cair, as maratonas de filmes, as pantufas divertidas, as sopas fumegantes, a noite mágica de Natal e, se tivermos mesmo sorte, neve. 

O Verão vai chegar mas entretanto não se esqueçam de aproveitar o Inverno.

You Might Also Like

1 comentários